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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Covid-19: Pesquisadores do ICB-USP validam eficácia de três novos testes sorológicos

03/08/2022


Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) atestaram a eficácia de três novos testes sorológicos para Covid-19. Desenvolvidos no próprio ICB, os testes usam o método ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática) para a detecção dos anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2, e tiveram sua eficácia comparada com outro teste já em uso no mercado, o Elecsys, da farmacêutica Roche.

Publicado na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology em junho deste ano, o trabalho foi feito com base em 1.119 amostras do sangue de pessoas que tiveram ou não tiveram contato com a doença. Os testes foram conduzidos no Hospital Universitário da USP ao longo do ano de 2020, portanto mostram um cenário ainda sem vacinas.

Na avaliação, o teste Elecsys, comercializado pela farmacêutica Roche, garantiu 96,92% de sensibilidade (capacidade de detectar casos positivos) e 98,78% de especificidade (capacidade de identificar casos negativos). O desempenho dos demais testes, do ICB, não ficaram aquém. O teste N-ELISA, que avalia uma proteína N completa do Coronavírus, registrou 93,94% de sensibilidade e 94,40% de especificidade. Já o teste RBD-ELISA, que utiliza um fragmento da proteína Spike do Coronavírus, obteve 90,91% e 88,80% de eficácia nesses dois critérios, respectivamente, enquanto o Delta-S1-ELISA, que utiliza um outro fragmento da Spike, apontou uma sensibilidade de 77,27% e uma especificidade de 76%.

“Mostramos que os testes são eficazes em uma época em que não havia vacinas. Logo, os pacientes não tinham como produzir anticorpos a não ser pela infecção. Isso dá mais assertividade aos resultados. E obtivemos resultados tão bons com o teste N-ELISA que conseguimos imaginá-lo sendo utilizado comercialmente no futuro. Por adotar uma proteína que é utilizada comercialmente, diferente dos nossos outros dois testes, o caminho é potencialmente menos longo”, destaca Robert Andreata-Santos, doutor em microbiologia pelo ICB e primeiro autor do estudo.

Além disso, os testes RBD-ELISA e N-ELISA talvez possam, no futuro, ser usados para diferenciar se o anticorpo foi criado pela vacinação ou pela infecção. “Ser eficaz na detecção de anticorpos contra a proteína RBD, que está presente em todas as formulações vacinais atuais, como também contra a proteína N, relacionada com casos de exposição ao Coronavírus, indica que em estudos futuros haverá a possibilidade de diferenciar anticorpos produzidos contra a vacina ou contra a infecção quando utilizados ambos os testes”, afirma Robert Andreata-Santos.

Padrão ouro de análise – Todos os exames foram validados contra o próprio Coronavírus por meio do teste de neutralização, considerado o padrão ouro para esse tipo de análise. O soro sanguíneo foi aplicado no teste para distinguir quais amostras neutralizavam e quais amostras não neutralizavam o SARS-CoV-2, sendo que as amostras neutralizadas eram consideradas positivas para Covid-19. Em seguida, esses resultados foram comparados com os resultados dos testes ELISA.

“Utilizamos o padrão ouro porque ele consegue ter sensibilidades e especificidades elevadas já que é capaz de calcular a carga de anticorpos neutralizantes do paciente”, afirma Machado. “Além disso, como o SARS-CoV-2 foi neutralizado, a possibilidade de os anticorpos criados em virtude da infecção pelo Coronavírus ou por outro patógeno apresentarem reação cruzada é extremamente reduzida”, complementa Andreata-Santos.

O método também é capaz de identificar se um anticorpo é neutralizante (pode impedir novas infecções), ou se é um anticorpo apenas de ligação (só reconhece uma região do vírus). Desta forma, a metodologia elimina quase todas as dúvidas que podem surgir a respeito dos dados de eficácia dos testes ELISA.

Colaboração extensa – Para realizar todo esse trabalho, foi necessária uma colaboração extensa de profissionais da Universidade. Os docentes Paulo Margarido, Ricardo Fock e Juliana Bannwart, do Hospital Universitário, foram responsáveis pela coleta do soro e avaliação das amostras por Elecsys. Na execução, no processamento e na análise dos testes de neutralização houve a colaboração de diversos laboratórios do ICB. Em suas respectivas competências, contribuíram os grupos de trabalho coordenados pelos docentes Luís Carlos de Souza Ferreira, Edison Luiz Durigon, Silvia Beatriz Boscardin e Cristiane Rodrigues Guzzo.

Com isso, a pesquisa contou com o financiamento de diversas agências de fomento, de forma direta (disponibilizando verba específica para a execução do projeto) ou indireta (dispensando bolsas para bancar a permanência dos pesquisadores nos laboratórios, independente do projeto). Contribuíram com o trabalho a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Instituto Moinhos Social disponibiliza 20 bolsas de estudos integrais na área da Enfermagem


 03/08/2022


O Instituto Moinhos Social, do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), está disponibilizando 20 bolsas de estudos integrais para os níveis técnico e superior na área da Enfermagem. O edital, lançado na última segunda-feira (1º) pela instituição, prevê 16 vagas para técnico e quatro para graduação destinadas aos candidatos que forem bem classificados na prova de seleção e atenderem aos requisitos exigidos para concorrer às vagas.

As inscrições para a graduação em Enfermagem podem ser realizadas até a meia-noite do dia 7, neste link, e a prova ocorre no dia 8, sendo disponibilizados dois horários: 14h e 16h. Os 12 melhores classificados passarão por uma avaliação socioeconômica, aplicada por uma assistente social, e os resultados serão divulgados no portal da Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento, no dia 14. A entrega dos documentos e a matrícula ocorre no dia 15.

Para o curso Técnico em Enfermagem as inscrições podem ser feitas até o dia 16, neste link, e a prova acontece no dia 17, também em dois horários: 14h e 16h. Já no dia 19 será divulgado o resultado dos 48 melhores classificados nessa etapa. Os candidatos classificados passam por avaliação socioeconômica, de forma presencial, com divulgação dos selecionados no dia 25.

A ordem de classificação será realizada por meio do método TOPSIS, que dará maior peso para candidatos com renda per capita menor e que residam em bairros com maior vulnerabilidade social na Capital ou com menor IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – nas demais cidades. Também passarão por uma prova e por uma entrevista para avaliação socioeconômica. Na primeira etapa, prova objetiva de língua portuguesa (leitura, interpretação e gramática), serão selecionados 12 para a graduação e 48 para o curso técnico. Os melhores classificados passam para as etapas seguintes, até que se chegue à classificação final.

Instituto Moinhos Social

Segundo o superintendente de Responsabilidade Social e de Governos, Luís Eduardo Ramos Mariath, a iniciativa visa proporcionar o desenvolvimento social e econômico de comunidades em situação de vulnerabilidade. “A metodologia que utilizaremos dará maior peso a candidatos que vivem em comunidades mais vulneráveis. Os bolsistas também precisarão comprovar trabalho voluntário no local em que residem. Entendemos que essas são formas de transformar a realidade dessas pessoas, mas também de servir como motor de redução das desigualdades e de impulsionar a melhoria dos índices de desenvolvimento humano dessas comunidades. Isso está completamente conectado ao valor de ética e de compromisso com a sociedade, que nos norteia todos os dias”, acrescentou o superintendente. Criado em dezembro de 2021, o Instituto Moinhos Social atua em outros quatro eixos, além da educação e da profissionalização: saúde, cultura e esporte, assistência social e meio ambiente.

Gisele da Silva Antunes Medeiros já é formada em técnica de Enfermagem com bolsa de estudos pelo Hospital Moinhos de Vento e, motivada por uma doença da filha, com o contato no ambiente hospitalar, se apaixonou pela profissão. “Como mãe, o que mais me representa é poder cuidar das pessoas que mais amo, assim como cuido de pessoas que nem conheço”, relatou a profissional, que destaca, neste vídeo, como os estudos mudaram a perspectiva de vida dela e de sua família.

Requisitos para concorrer às vagas:

–        Ter concluído o ensino médio;

–        Não estar matriculado em curso técnico ou superior;

–        Não ser portador de diploma de curso superior nem técnico;

–        Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública; ou

–        Ter cursado o ensino médio completo em instituição privada, na condição de bolsista integral na respectiva instituição;

–        Atender os seguintes critérios de renda:

Para nível técnico, a renda familiar bruta mensal per capita não deve exceder o valor de um salário mínimo nacional vigente (R$ 1.212). Para nível superior, a renda familiar bruta mensal per capita não pode exceder o valor de um salário mínimo e meio nacional vigente (R$ 1.818);

–        Não estar inscrito em mais de uma modalidade no mesmo edital;

–        Não receber outro incentivo estudantil, público ou privado;

–        Atingir nota acima de 4 (quatro) na prova.

As provas ocorrerão na Rua Ramiro Barcelos, 996, na Faculdade de Ciências da Saúde/ Escola de Formação Profissional Moinhos de Vento e as vagas são para o segundo semestre de 2022. Confira aqui o edital completo.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Sabará Hospital Infantil realiza primeira simulação de cirurgia do mundo no Metaverso


 01/08/2022


O Sabará Hospital Infantil  acaba de realizar a primeira simulação de cirurgia no Metaverso no mundo. A neurocirurgiã pediátrica do Sabará Hospital Infantil e líder do projeto,  Dra. Giselle Coelho, conduziu uma neurocirurgia de biópsia de um tumor cerebral por endoscopia com a mentoria do avatar criado para essa simulação: a Dra. Geex é uma réplica hiperrealista da Dra. Giselle – e possui as informações dos movimentos finos referentes à técnica cirúrgica.

O Metaverso não é só uma novidade tecnológica, mas uma grande potencial na maneira como nos relacionamos e utilizamos a internet. Mais do que a reprodução de uma realidade virtual, o Metaverso é a junção do mundo físico e digital. Na área da saúde, espera-se um avanço da Telemedicina, o apoio especializado a distancia, acompanhamento de tratamentos em tempo real, a evolução do prontuário eletrônico e o aprimoramento das cirurgias robóticas, benefícios proporcionados pela chegada do 5G.

Essa tecnologia inovadora no ambiente hospitalar permitirá a participação virtual de médicos especialistas em cirurgias remotas,  potencializando a excelência de qualidade da saúde em todas as regiões do Brasil e do mundo. Será um modelo de educação sem fronteiras geográficas ou econômicas, tornando mais acessível a saúde de qualidade.

“É uma honra trazer essa tecnologia apresentada pela primeira vez no mundo simulando sua utilização para os pacientes pediátricos do Sabará. Esse projeto ajudará no compartilhamento de conhecimento clínico em cirurgias pediátricas complexas como as neurológicas. Com isso, futuramente, será possível oferecer toda a expertise dos especialistas do Sabará para regiões remotas, que não teriam o acesso a grandes centros para determinadas cirurgias, expandindo o conhecimento e ampliando as opções de tratamento especializado para os pacientes”, explica a Dra. Giselle Coelho.

A simulação inédita foi realizada no Centro Cirúrgico do Sabará com um boneco em formato de bebê hiperrealista, impresso em 3D, baseado nos exames reais de um paciente e com suas mesmas características físicas, que contou com a tecnologia HoloLens – um dispositivo de realidade virtual que trabalha com hologramas inteiramente voltados para interação no ambiente real através do uso de gestos e vozes.

“O Sabará Hospital Infantil é uma referência em alta complexidade no Brasil e com a implantação dessa inovação tecnológica, reafirmamos nosso compromisso com o desenvolvimento e capacitação médica e profissional, assim como uma melhor experiência de cuidados para nossos pequenos pacientes”, afirma o Dr. Rogério Carballo, Gerente de Novos Negócios e Telemedicina do Sabará Hospital Infantil.

 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Hospital São Francisco inaugura serviço multidisciplinar de cirurgia bariátrica e metabólica


 29/07/2022


Cerca de 96 milhões de brasileiros estão acima do peso, de acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 2030, a estimativa é de que sete a cada 10 pessoas estejam acima do peso e uma a cada quatro estejam obesas, de acordo com o estudo ‘A Epidemia de Obesidade e as Doenças Crônicas Não Transmissíveis’, financiado pelo CNPq. A cirurgia bariátrica e metabólica tem sido uma importante forma de combater a obesidade, sobretudo nos casos em que os pacientes têm comorbidades ou são idosos. Estudo recente realizado nos Estados Unidos revelou que o risco de mortalidade por doenças cardíacas em pessoas obesas e com mais de 65 anos se reduziu em até 60% com a realização da cirurgia bariátrica.

Com o intuito de oferecer um atendimento cada vez mais completo aos seus pacientes, o Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF – RJ) está inaugurando o novo serviço voltado para pacientes que buscam cirurgia bariátrica e metabólica, cirurgia geral, proctologia e videolaparascopia, com atenção integral e multidisciplinar. “Convidamos o cirurgião Aurélio Bottino, médico experiente e altamente capacitado para coordenar esse novo serviço. Bottino é um dos pioneiros na realização da cirurgia bariátrica no Brasil e acompanhou todas as evoluções dessa técnica, que a partir de agora estará disponível para os pacientes do HSF também”, comemora Frei Isaac Prudêncio, diretor geral do Hospital.

O novo serviço, batizado de Instituto Dr. Bottino, é um projeto antigo do cirurgião. “Desde 1975 eu realizo procedimentos diversos no centro cirúrgico do HSF, mas só agora, finalmente, consegui reunir todas as condições ideais para concretizar esse projeto exatamente da forma como eu planejei”, conta o médico, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Um dos principais diferenciais do novo núcleo de cirurgia bariátrica é a agilidade no atendimento. “Vamos oferecer atendimento no mesmo dia, com uma abordagem multidisciplinar. Nosso objetivo é que o paciente receba todas as informações e orientações desde a primeira consulta e saia com as próximas consultas e exames marcados. Agilizar esse processo garante mais segurança e deixa o paciente mais confiante no serviço. Vamos oferecer facilidade para o paciente e esta é a grande vantagem de estar em um grande hospital com toda a estrutura de ponta: realizar consultas, exames e até a cirurgia no mesmo lugar”, afirma Bottino, que integra como membro titular a Câmara Técnica de Cirurgia Digestiva, Bariátrica e Metabólica e de Videolaparoscopia do Conselho Regional de Medicina (CRM-RJ). A equipe do novo serviço conta com cirurgiões, psicóloga, nutricionista, coloproctologista, endocrinologista e professor de educação física.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Estudo aponta baixo impacto da pandemia na saúde mental de idosos


 29/07/2022


A pandemia de Covid-19 colocou a temática da saúde mental em foco, especialmente em razão do isolamento social, das mortes de amigos e familiares e do medo de contrair uma doença, até então, desconhecida. Diante desse cenário, pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) buscaram compreender os impactos desse período na saúde mental de idosos. Os resultados foram publicados na revista científica Research, Society and Development.

O estudo contou com a participação de voluntários de 60 a 89 anos, tanto homens quanto mulheres, que frequentaram o ambulatório de Geriatria da PUCPR no câmpus de Londrina (PR) da Universidade e a Policlínica Municipal da cidade após o período de distanciamento social. Os idosos responderam ao questionário envolvendo autorrelato sobre o grau de receio da doença, medo de perder a vida em decorrência do vírus e nível de ansiedade ao ver notícias sobre a pandemia na mídia, entre outros pontos.

Conduziram a pesquisa os professores do curso de Medicina da PUCPR Londrina Lindsey Mitie Nakakogue e Carlos Eduardo Coral de Oliveira e as estudantes de graduação Maria Victoria Barbetta Itimura e Gabriela Nagem de Aragão.

O estudo mostra que a população estudada teve uma baixa incidência de sintomas depressivos e ansiosos, os pesquisadores acreditam que indivíduos mais velhos possuem uma melhor capacidade de regulação emocional. Outros dados obtidos durante o estudo revelaram uma baixa adesão ao acompanhamento psicológico e à tecnologia.

“Apesar da incidência de sintomas depressivos e ansiosos nos idosos ter sido baixa após o período de isolamento social, os dados obtidos durante o estudo revelaram uma baixa adesão ao acompanhamento psicológico e à tecnologia. Isso pode ser justificado conforme a renda de até um salário-mínimo dos 60% dos idosos”, afirma a médica geriatra Lindsey Mitie Nakakogue, professora da PUCPR Londrina.

O trabalho acadêmico joga luz sobre questões importantes relativas à saúde mental e as condições de vida na terceira idade. É possível acessar o estudo “Saúde mental de idosos durante o distanciamento social pela Covid-19” na íntegra no link: rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/28356.

 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Método canguru auxilia na recuperação de bebês prematuros em Barcarena


 28/07/2022


“Não pude ter o primeiro contato com minha bebê quando ela nasceu, então, fazer o método canguru foi muito emocionante. Poder carregar, sentir no colo pela primeira vez, mesmo com ela ainda na UTI e entubada, não tem explicação, é um momento único”, conta emocionada Emanuelly Cristinne Souza, de 24 anos, mãe da pequena Laura.

A bebê nasceu no Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB), interior paraense, no último dia 15 de julho, com apenas 29 semanas de gestação. Por se tratar de um prematuro, com muito baixo peso e desconforto respiratório, Laura precisou ser entubada e encaminhada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo).

O Método Canguru é voltado para o cuidado humanizado aos recém-nascidos e integra a participação de toda a família no processo de tratamento. A prática consiste em manter o bebê prematuro e de baixo peso, no contato pele a pele na posição vertical, junto ao colo dos pais, por um tempo indeterminado e de livre escolha.

No Materno-Infantil de Barcarena, unidade do Governo do Estado do Pará que atua como referência para gestantes de alto risco na região do Baixo Tocantins, esse cuidado vai além da mãe, incluindo também pai e avós.

“Enquanto prática humanizada dentro das UTIs, o método estabelece uma estratégia biopsicossocial ao recém-nascidos e seus familiares, promovendo a participação dos pais no cuidado do bebê, além do contato pele a pele de forma precoce, mesmo naqueles em uso de ventilação mecânica, como no caso da pequena Laura”, explica Nataliel Miranda, coordenador da UTI Neonatal do HMIB.

Segundo o profissional, há inúmeras vantagens na implementação dessa prática, como redução do tempo de separação mãe/pai e filho, facilidade no estabelecimento do vínculo afetivo, estímulo ao aleitamento materno, auxílio no controle térmico do recém-nascido, redução do risco de infecção hospitalar, do estresse e da dor. “Favorece ainda a estimulação sensorial protetora do bebê em relação ao seu desenvolvimento integral e melhora a qualidade neuropsicomotora”, complementa Nataliel.

Alguns desses efeitos podem ser percebidos de forma imediata, como lembra Emanuelly. “Quando ela estava comigo, senti diferença no meu corpo, principalmente em relação ao estímulo do leite, que vazou bastante. Além disso, apensar ser uma bebê agitada, ela teve um momento de calmaria enquanto sentia o meu calor”.

Etapas do Método Canguru

A prática ocorre em três etapas e de forma gradativa. A primeira começa ainda no pré-natal na gestação de alto risco, e após a internação com o recém-nascido prematuro na UTI Neo. Os pais são acolhidos e informados sobre o quadro clínico do bebê, as rotinas do setor e da equipe. Durante a internação, os pais têm livre acesso à unidade e são encorajados a tocar no bebê para, em seguida, colocá-lo na posição canguru.

Na segunda etapa, o bebê permanece de maneira contínua com sua mãe ou pai, que participa ativamente dos cuidados. Com o ganho do peso e a familiarização do contato no colo, os pais ficam mais seguros, estimulando a permanecer com o bebê na posição canguru o maior tempo possível.

Já na terceira etapa, o bebê vai para casa, já com a saúde estável. Com a orientação da equipe, os pais são estimulados a realizar a manutenção do método até o bebê alcançar o peso adequado.

“É uma técnica humanizada que traz benefícios clínicos muito significativos. Pode ser realizado de forma segura em bebês entubados e já existem estudos e revisões que apontam de forma positiva essa aplicação. Por isso, aqui no Materno-Infantil, a prática do método canguru é tão fortalecida”, ressalta Lorena Portal, diretora Assistencial do HMIB.

O Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan é gerenciado pela entidade filantrópica Pró-Saúde e presta atendimento 100% gratuito por meio do Sistema único de Saúde (SUS). Em agosto de 2021, se tornou o primeiro hospital da região do Baixo Tocantins a receber o selo Amigo da Criança, concedido pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e OMS (Organização Mundial da Saúde), aos hospitais que realizam o cumprimento dos dez passos para o sucesso do aleitamento materno.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Sociedade de Cirurgia Bariátrica propõe ao Ministro da Saúde organização de filas estaduais para o SUS e revisão de portarias


 26/07/2022


A diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) solicitou, nesta quarta-feira (26), em audiência com o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a revisão das portarias número 424 e 425 de 19 de março de 2013 e que estabelecem as diretrizes do tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS), bem como o regulamento de normas e critérios para a Assistência de Alta Complexidade ao Indivíduo com Obesidade.

“Desde 2013 o cenário da obesidade no Brasil mudou muito, especialmente depois da pandemia, quando tivemos a paralização dos procedimentos e, em contrapartida, o aumento da obesidade e das doenças associadas a ela no país”, afirmou o presidente da SBCBM, Fábio Viegas.

Segundo ele, por sugestão do próprio Ministro da Saúde, será montado um grupo de trabalho para a revisão de portarias que já estão complementando uma década e, que poderão trazer benefícios aos pacientes, incluindo a viabilização da cirurgia laparoscópica, por meio de programas de qualificação e incentivo para os hospitais.

Em 2021, 52% dos brasileiros entrevistados pelo estudo Diet & Health Under Covid-19, declararam ter engordado. Segundo a pesquisa, que entrevistou 22 mil pessoas de 30 países, os brasileiros ganharam, em média, cerca de 6,5 quilos neste período.

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reiterou a importância da revisão das portarias, uma vez que após nove anos as diretrizes para prevenção e tratamento da doença vêm sendo atualizadas.

“Teremos um grupo de trabalho para formalizar esta revisão, juntamente com representantes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica”, declarou o Ministro.

Fila de acesso à bariátrica

“Em contrapartida as filas para o acesso a cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram e, em muitos estados do Brasil, o número de pessoas que aguardam pelo procedimento é desconhecido pelo sistema público”, afirmou Fábio Viegas.

A diretoria da SBCBM sugeriu a organização de filas estaduais para que seja possível promover o acesso, priorizando principalmente os pacientes mais graves. “A obesidade e doenças associadas a ela aumentaram e, aliado a isso, houve uma redução no número de cirurgias bariátricas em 2020. Este cenário ocasionou em um tempo de espera ainda maior para os pacientes que buscam o SUS para o tratamento cirúrgico da obesidade”, afirma Viegas.

O Brasil conta atualmente com 7.700 hospitais, em 5.568 municípios brasileiros. Destes, apenas 98 serviços realizam a cirurgia bariátrica e metabólica, sendo que quatro estados brasileiros não oferecem o procedimento. Atualmente Amazonas, Rondônia, Roraima e Amapá não possuem serviços habilitados no SUS para bariátrica.

A Sociedade ofereceu suporte no que se refere a certificação e acreditação de cirurgiões e hospitais no Brasil, para avaliação dos serviços de cirurgia existentes e para ampliar a oferta de atendimento e capacitar serviços que ainda não estão habilitados em cirurgia bariátrica pelo SUS.

“Estamos dispostos a contribuir com este processo, já que existe desinformação quanto a habilitação e credenciamento dos estabelecimentos no SUS. A ideia é desenvolver um plano estratégico para a demanda de procedimentos eletivos postergados durante a pandemia, diminuindo o tempo de espera para realização do procedimento cirúrgico”, destacou Viegas.

Dados de Bariátrica no Brasil

Entre os anos de 2019 e 2021 foram realizadas 19.203 cirurgias bariátricas pelo SUS no país, sendo 12.568 procedimentos em 2019; 3.129 procedimentos em 2020 e 1935 procedimentos em 2021. A queda foi de 77 % se comparado o ano de 2019 com o ano de 2021 e de 23% se comparado o ano de 2020 com o ano de 2021.

Já as cirurgias por planos de saúde, segundo os últimos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), saíram de 52.699, em 2019 para 46.419 em 2020. Já em 2021 foram realizados 56.991 procedimentos pela ANS. A queda de 2019 para 2020 foi de 11,9%.



Indicação

Entre os critérios previstos nas portarias 424 e 425 do Ministério da Saúde para realização da cirurgia bariátrica pelo SUS estão o encaminhamento de pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) de 50 Kg/m2 e pacientes com IMC ³40 Kg/m², com ou sem comorbidades, sem sucesso no tratamento clínico por no mínimo dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos. Além disso, as portarias também permitem a indicação para cirurgia bariátrica de pacientes com IMC > 35 kg/m2 e comorbidades com alto risco cardiovascular, diabetes e/ou hipertensão arterial de difícil controle, apneia do sono, doenças articulares degenerativas ou outras que não tenham tido sucesso no tratamento clínico longitudinal realizado por no mínimo dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos.

Obesidade e Diabetes no Brasil

No Brasil, a obesidade aumentou 72% entre 2006 e 2019, saindo de 11,8% para 20,3%, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). O excesso de peso (IMC igual ou maior que 25) está presente em 55,4% dos brasileiros.

Com relação à diabetes, o Brasil é o sexto país em incidência da doença no mundo e o primeiro na América Latina. São 15,7 milhões de pessoas adultas com esta condição, e a estimativa é que, até 2045, a doença alcance 23,2 milhões de adultos brasileiros. Cerca de 90% dos casos de diabetes no mundo são do Tipo 2, que está relacionado com o excesso de peso e resistência à insulina, segundo a Federação Internacional de Diabetes.

Cirurgia metabólica

Como acontece com qualquer tratamento médico, alguns pacientes podem não responder como esperado. Nesses casos, a cirurgia metabólica pode ser necessária para prevenir a progressão da doença e as consequências do diabetes. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o tratamento cirúrgico do diabetes tipo 2 em 2017, com critérios de indicação para falha de tratamento e obesidade leve com índice de massa corporal (IMC) entre 30 kg/m 2 e 34,9 kg/m².

Audiência

Participaram da audiência o vice-presidente da SBCBM, Antônio Carlos Valezi; o vice-presidente-executivo da SBCBM, Luiz Vicente Berti, o diretor médico da SBCBM, Luiz Fernando Córdova; o ex-presidente do Capítulo da Paraíba e conselheiro dos Capítulos da SBCBM, Augusto Almeida Júnior; o cirurgião e ex-presidente do Capítulo de Pernambuco da SBCBM, Flávio Kreimer e a diretora de relações institucionais da SBCBM, Galzuinda Maria Figueiredo Reis.