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terça-feira, 12 de outubro de 2021

Hospital é primeiro do Sul em registro sobre emissão de gases do efeito estufa

08/10/2021


Instituição participa do mercado livre de energia elétrica, com fonte 100% renovável, de origem fotovoltaica. Foto: Karine Viana

Criado em 2008, o Programa Brasileiro GHG Protocol é responsável pelo desenvolvimento de ferramentas de cálculo para estimativas de emissões de gases do efeito estufa (GEE), adaptado ao contexto do país. A iniciativa contempla o registro público de emissões, que conta com a maior base de inventários sobre esse tema na América Latina, estimulando as organizações a investirem em responsabilidade socioambiental.

O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), tornou-se a primeira instituição hospitalar do Sul do Brasil a integrar esse registro público, com a publicação de seu primeiro inventário completo de GEE. Como reconhecimento à iniciativa, recebeu o Selo Prata do GHG Protocol. Em todo o país, apenas 192 empresas de diversos setores participam do programa.

Supervisor de Gestão Ambiental do Hospital Moinhos, Rogério Almeida da Silva explica que o processo para conquistar o selo durou um ano, com o levantamento de todas as informações exigidas pelo inventário. “Isso traz credibilidade para a marca e demonstra nosso engajamento em busca da neutralização das emissões desses gases”, afirma.

Rogério acrescenta que, agora, o Moinhos avançará para a mitigação dos impactos dessas emissões, bem como neutralizar parte delas por meio da compra de energia de fontes renováveis. “Essas ações reforçam nosso compromisso para reduzir os impactos ambientais, trazendo benefício não apenas para o paciente, mas para toda a sociedade”, completa.

Destaque em sustentabilidade

O selo do GHG Protocol se soma a outras iniciativas do Hospital Moinhos de Vento na responsabilidade ambiental. A instituição conta com o Bosque Schwester Ires Spier, um espaço de três mil metros quadrados e cerca de 800 árvores, de 86 espécies diferentes. A área se destaca pela diversidade e pela ocorrência de aves pouco comuns no meio urbano.

São desenvolvidas iniciativas como uma estufa agrícola de 100 m², onde são cultivados vegetais com adubo produzido numa composteira (a partir de restos da produção de alimentos da instituição). O plantio é feito pelos colaboradores, em ações de Educação Ambiental. O hospital promove também o uso racional de água, com estabilizadores de vazão que permitem a economia de 5.000 m³ mensais e da energia elétrica, com a substituição de todas as lâmpadas com flúor de mercúrio por mais de 16 mil dispositivos LED.

Desde 2016, o Moinhos de Vento também participa do mercado livre de energia elétrica, com fonte 100% renovável, de origem fotovoltaica e atestada por um selo de garantia do parceiro gerador, a francesa ENGIE. “Cuidar de vidas está na essência do hospital. E nós estendemos nosso braço de cuidado para muito além de nossos muros. O compromisso com o meio ambiente tem foco na preservação para as próximas gerações, que seguirão esse legado”, afirma Evandro Moraes, Superintendente Administrativo do hospital. Ele acrescenta que a instituição busca, ainda em dezembro deste ano, a certificação ISO 14001, visando implantar as melhores práticas em seu sistema de gestão ambiental.



segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Congresso de Fonoaudiologia: desafios da ciência e do atendimento no cenário pós-Covid-19

11/10/2021



Apesar dos avanços no combate à Covid-19, ainda são muitos os impactos presentes na saúde e na educação da população brasileira. A necessidade de aceleração no desenvolvimento de estudos e das terapias de reabilitação de pacientes com sequelas incapacitantes, assim como o suporte às políticas públicas, imprimiram novas dinâmicas para profissionais e toda a cadeia de atendimento. Um cenário tão importante que ganhou foco na programação do XXIX Congresso Brasileiro e IX Congresso Internacional de Fonoaudiologia, que acontece entre os dias 13 e 16 de outubro.

Realizado pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o evento é o maior encontro da Fonoaudiologia da América Latina, contando com mais de 100 atividades, ministradas por 400 palestrantes em formato on-line, nos segmentos da Linguagem, Voz, Audição e Equilíbrio, Motricidade Orofacial, Disfagia, Fonoaudiologia Educacional e Saúde Coletiva.

A Covid-19 e as contribuições da Fonoaudiologia

Os problemas de saúde e da comunicação causados pelo novo Coronavírus ao longo de mais de um ano e sete meses, como danos às cordas vocais, perdas auditivas, alterações na cognição, olfato, paladar, deglutição, desenvolvimento da linguagem infantil, além da infraestrutura do SUS, do teleatendimento, da defasagem da aprendizagem e da formação em saúde à distância, também estarão entre alguns dos assuntos que guiarão as discussões de casos, talk-shows e atividades ‘Como eu faço’ durante o Congresso.

“Todos fomos afetados de diversas formas pela Covid-19, e enquanto profissionais da saúde e da educação, tivemos que nos reorganizar para viabilizar estudos científicos em tempo recorde, assim como para conduzir diagnósticos e terapias de atendimento, entre outras questões. Por isso, a importância de trazer este cenário de aprendizados ao Congresso, para o melhor preparo das nossas necessidades e da população”, esclarece o presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Dr. Leonardo Lopes.

Atenção à Gagueira e Conscientização da Comunicação Suplementar Alternativa também ganham destaque no evento

Durante o mês de outubro são celebradas duas datas especiais para a Fonoaudiologia e a população, que contarão com campanhas da SBFa inseridas no Congresso: o Dia Internacional de Atenção à Gagueira e o Mês de Conscientização da Comunicação Suplementar Alternativa.

Segundo o Instituto Brasileiro de Fluência, aproximadamente 10 milhões de brasileiros gaguejam, sendo 2 milhões deles de forma crônica, para os quais a SBFa atua para expandir o conhecimento sobre o tema, apresentando um paralelo do impacto do transtorno e seus conceitos no passado com o entendimento atual, baseado em estudos recentes.

A Comunicação Suplementar Alternativa, por sua vez, atua para garantir que indivíduos com dificuldades para se expressar pela fala, possam se comunicar por outros meios, como gestos, expressões faciais, pranchas de comunicação, entre outros. O conhecimento nessa área se faz cada dia mais necessário para que todas as pessoas possam ser integradas ao meio social e ter mais qualidade de vida.

Alguns dos temas das campanhas estarão inseridas no #CongressoSBFa em debates como:

·         Comunicação Alternativa na escola: formação de parceiros de comunicação

·         O uso da comunicação suplementar e alternativa no cuidado integral ao paciente com Covid-19 – resultados de uma grande ação na rede SUS

·         Fluência leitora em tempos de Covid-19: análise longitudinal e transversal

·         Relação e influência do mundo virtual na qualidade de vida de idosos

·         Lepic: aplicativo para monitoramento da fluência leitora

·         A eficácia de três abordagens terapêuticas em adultos com gagueira

·         Projeto expressões de cuidado: estratégias de comunicação alternativa para o paciente hospitalizado no contexto pandêmico atual

Com a proposta de promover o aprimoramento da Fonoaudiologia para todos os profissionais do seu meio, a SBFa também amplia o acesso e a qualidade do atendimento da população, em todos os ciclos da vida e em todas as frentes que permitam melhorar a sua comunicação.

Informações e inscrições: www.sbfa.org.br/congressosbfa2021

 

Em comemoração ao Dia do Médico, Hospital de Clínicas do Ingá promove café da manhã

11/10/2021



No dia 18 de outubro, Dia do Médico, a partir das 8h, o Hospital de Clínicas do Ingá, de Niterói (RJ), realiza um café da manhã para 70 médicos no H Niterói Hotel. O objetivo do encontro é apresentar à equipe médica, o processo de aceleração Planetree, metodologia que tem como prioridade o atendimento humanizado em primeiro lugar e a inclusão e responsabilidade social perante todos os seus pacientes, corpo médico e colaboradores.

Na ocasião, além da apresentação do projeto, os convidados poderão assistir a palestra do Diretor do Instituto Destiny, Cleiton Pinheiro que irá apresentar o novo HCI como um convite aos médicos, para caminharem juntos na construção deste novo Hospital de Clínicas de Niterói.

“Eu vou trazer uma palestra para mostrar aos médicos o quanto é importante acreditarem nesse novo projeto que está sendo apresentado e investirem nele. Para garantir um futuro próspero, alguns princípios e pilares precisam ser respeitados e quando temos essa mentalidade o nosso comportamento determina o tempo que iremos levar para vivê-lo”, explica Cleiton, profissional conhecido por treinamentos em liderança para empresários e pessoas de todas as partes do mundo e criador do Mentor Cast, um dos podcasts mais ouvidos na categoria de negócios.

Nos últimos anos, o HCI vem expandindo as suas áreas de atuação em tecnologia, inovação, capacitação e humanização, mudanças que se consolidaram com a inclusão em agosto desse ano, do Projeto PlaneTree, que funciona no Hospital Israelita Albert Einstein, única instituição credenciada e reconhecida a abordar a metodologia nos países de língua portuguesa por meio da implementação do Programa de Certificação do Cuidado Centrado na Pessoa.

“O objetivo principal do HCI ao aderir ao PlaneTree é se consolidar em dois anos com um selo internacional que chancela o hospital como o único de Niterói cujo diferencial é inserir o paciente como parte central dos cuidados médicos. Dessa forma nosso objetivo é concretizar essa estratégia na gestão e obter os melhores resultados para os pacientes, familiares, colaboradores e gestores”, explica Dr. Luiz Otávio Nazar, Diretor e médico especialista em Cirurgia Geral, Laparoscopia e Urologia do HCI.



domingo, 10 de outubro de 2021

AAP 2021: estratégias não farmacológicas para ansiedade em adolescentes durante a pandemia

 





Roberta Esteves Vieira de Castro

09 Oct. 2021


Em apresentação na AAP Experience 2021, congresso da American Academy of Pediatrics, Carol Cohen Weitzman, médica codiretora do Autism Spectrum Center no Boston Children’s Hospital abordou o tratamento não farmacológico da ansiedade em adolescentes durante a pandemia de Covid-19, com foco em determinantes sociais de saúde, racismo, bem-estar do cuidador e aprendizagem remota.


Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença  Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes  Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF)  Doutora em Medicina (UERJ)  Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR)  Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ  Professora de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques  Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro  Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox  Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP)  Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS)  Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG)  Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS)  Consultora de sono infantil e de amamentação.

 


Principal impacto da pandemia na Saúde é a transformação digital, apontam executivos em pesquisa




08/10/2021

Atlas, a pesquisa inédita do CBEXs – Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde perguntou aos executivos da saúde qual o principal impacto da pandemia de Covid-19 na área da Saúde.

Exatos 1.532 executivos da saúde de todo país dos setores público e privado responderam que o principal impacto da pandemia na saúde foi a transformação digital. Os dez impactos mais apontados pelos executivos seguem na sequência:

·         Transformação digital (1º impacto mais apontado)

·         Fragilidade do sistema de saúde (2º impacto mais citado)

·         Saúde mental (3º)

·         Gestão financeira dos negócios (4º)

·         Custos na saúde (5º)

·         Despreparos da força de trabalho (6º)

·         Adaptabilidade e gestão de mudança (7º)

·         Planejamento estratégico (8º)

·         Inovação na saúde (9º)

·         Valorização do setor da saúde (10º)

“A pandemia nos fez conscientizar para fatos extremamente importantes. A transformação digital foi o principal impacto apontado pelos executivos. Certamente ela permite maior e mais rápido acesso da população ao sistema de saúde. A pesquisa também apontou nossas deficiências com um sistema de saúde fragilizado e uma força de trabalho despreparada. Indicou ainda a necessidade de planejamento estratégico, gestão e inovação”, destaca Francisco Balestrin, presidente do CBEXs.

Segundo Balestrin, o foco da atuação do Colégio é capacitar os executivos, formando uma nova geração de líderes, que possa estar preparada para gerir as empresas com eficiência, oferecendo melhor qualidade de saúde à população.

Perfil do executivo de saúde do Brasil

A pesquisa Atlas traça o perfil do executivo da saúde brasileiro formatado a partir de um questionário com 44 questões sobre gênero, idade, salário, cor e formação entre outras questões de grande relevância.

O Atlas apurou que 39% dos executivos são jovens de 36 a 46 anos, sendo 56% do sexo masculino e 44 % do sexo feminino. 77 % são brancos e 69% são casados. Para a maioria dos entrevistados (80%) existe equidade de gêneros no mercado da saúde.

A pesquisa levantou ainda a formação profissional dos executivos: 64,5% possuem pós-graduação, no entanto, 25% não receberam nenhum treinamento de liderança/gestão nos últimos 2 anos. 29% ocupam cargo de diretor e 23% de gerente.

No item remuneração: 31% ganham entre R$ 20 mil a R$ 40 mil. E a competência mais admirada por 73% dos entrevistados é a liderança.

Segundo Francisco Balestrin, presidente do CBEXs, com a pesquisa “sabemos com precisão onde estamos e quem somos, o que irá ajudar a melhorar a liderança hoje, e a construir e moldar a liderança dos próximos anos”.

Para o médico, a ideia é liderar com o objetivo de levar saúde acessível e de qualidade para a população, em um ambiente próspero, seguro e cada vez mais promissor.

 


sábado, 9 de outubro de 2021

Dia das Crianças: Animações ajudam a explicar cirurgias para pequenos pacientes

 


Apesar do Dia das Crianças estar se aproximando e várias campanhas com foco no público infantil ganharem a mídia, a preocupação com a saúde das crianças é algo sempre constante no cotidiano dos pais e dos médicos. Quando se trata da realização de cirurgias pediátricas ou outros tipos de intervenção médica, além de contar com o suporte da família e de bons profissionais da saúde, também é importante saber explicar para as crianças sobre o procedimento ao qual serão submetidas.

No entanto, ter essa conversa com as crianças pode ser, muitas vezes, algo complicado, principalmente quando a saúde delas está frágil ou a intervenção é difícil. É por isso que especialistas recomendam o uso de recursos didáticos e lúdicos que colaboram com o entendimento da criança, sem assustar, mentir ou omitir informações importantes sobre a experiência que ela terá.

Pensando nisso, marcas e instituições da área da saúde têm se preocupado cada vez mais com que os pequenos pacientes entendam implantações e intervenções médicas. Um exemplo é o vídeo abaixo, desenvolvido por uma sociedade de anestesiologistas portugueses (CAR – Clube de Anestesia Regional/ESRA Portugal), que se vale de uma animação para explicar o que é a Anestesiologia para crianças em idade escolar. Já aqui no Brasil, temos o exemplo da LivaNova, empresa global de inovação médica, que produziu o vídeo a seguir, também com desenhos animados, para explicar a cirurgia realizada para a implantação da terapia VNS, indicada para pacientes diagnosticados com epilepsia refratária, ou seja, pacientes resistentes a medicamentos e para os quais a cirurgia cerebral não é recomendada.

O vídeo conta a história de Toni, criança que sofre com epilepsia refratária, e que conta com a ajuda do Dr. Kid, seu médico, e de Zinho, personagem que representa o dispositivo que será implantado por meio da cirurgia e que é tratado como um super-herói. Assista clicando no link: drive.google.com/file/d/1ghfTcSOH5vbzpxhxuQmq7RrTpeWiB7E_/view.

Epilepsia/terapia VNS em crianças

A epilepsia na infância é comum – estima-se que a prevalência seja de aproximadamente 5 a cada 1000 crianças, com maior frequência na faixa etária de 0 a 9 anos de idade. Pesquisas indicam que o tratamento adequado com drogas antiepilépticas é um sucesso para aproximadamente 50% dos pacientes, podendo chegar a índices de até 75%. No entanto, cerca de 20 a 30% dos casos podem ser de difícil controle medicamentoso.

A professora Adriana Raquel Gomes conta que seu filho Theodoro, de 12 anos, apresentou uma melhora significativa após o implante da terapia VNS, tanto no controle parcial das convulsões quanto em seu desenvolvimento cognitivo. E, durante todo o processo, o médico que os acompanha no tratamento se valeu de recursos lúdicos para que Teodoro compreendesse o funcionamento da terapia. “Toda vez que vamos ao consultório, Teodoro usa uma blusa com a estampa da armadura do Homem de Ferro, porque o médico o chama assim e faz uma analogia entre o aparelho da terapia VNS e o coração do super-herói. Isso faz toda diferença, porque encoraja o paciente e explica todo o procedimento de uma forma com que a criança consiga entender a importância da terapia para a saúde dela”, relata a mãe.

Para a neurocirurgiã Alessandra de Moura Lima, que realiza implantes da terapia VNS em pacientes pediátricos, a utilização de materiais didáticos feitos especialmente para as crianças é fundamental. “Às vezes é muito difícil explicar às crianças um procedimento considerado complexo até para a maioria dos adultos. Materiais explicativos produzidos e dirigidos especialmente para elas nos ajuda muito, e com certeza deixa as crianças muito mais tranquilas, aceitando com maior naturalidade o procedimento”.

Epilepsia

A epilepsia é uma condição neurológica que afeta aproximadamente 1% da população. De acordo com a OMS, aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de epilepsia, o que a posiciona como uma das doenças neurológicas crônicas mais comuns no planeta. No Brasil, estimativas variam de 2 a 3 milhões de pessoas. Ela ocorre quando o cérebro não funciona corretamente e os neurônios produzem uma atividade excessiva e anormal, causando as crises.

O tratamento da Epilepsia é feito com uso de medicamentos, e em alguns casos são necessárias outras opções, como a cirurgia ressectiva, neuromodulação (terapia VNS) e dieta cetogênica. Com o tratamento medicamentoso correto, aproximadamente 70% das pessoas têm as suas crises completamente controladas. A cirurgia quando bem indicada é possível, consiste na retirada da região cerebral responsável pelas crises, desde que não leve a consequências ao paciente.

No entanto, grande parte dos pacientes que não respondem aos medicamentos também não são candidatos à cirurgia ressectiva. “Pessoas com epilepsia refratária resistentes ao tratamento têm grande impacto em suas vidas, seja na escola, trabalho, convívio social. Também apresentam maior risco de traumas, queimaduras, necessitam de tratamentos médicos frequentes, exames e até avaliações de emergência no pronto-socorro. Por fim, também apresentam maior risco de morte, não apenas pelas lesões que podem sofrer mas também devido a crises prolongadas, estado de mal epiléptico e morte súbita”, explica o Dr. Lécio Figueira, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e vice-presidente da ABE. Para muitos destes casos, a neuromodulação seria uma opção.

“A neuromodulação através do implante de estimulador do nervo vago (terapia VNS) é um tratamento aprovado há muito tempo. Nos Estados Unidos isso aconteceu em 1997 e no Brasil em 2000. Trata-se de uma opção segura e eficaz, que leva à redução na frequência e intensidade das crises, além de outros ganhos, como melhora na recuperação após crise e até mesmo no humor e comportamento. A melhora acontece de forma gradual após início da estimulação”, afirma Dr. Lécio. “Aguardamos há algum tempo a disponibilização desta alternativa no SUS, porque, para muitos dos nossos pacientes, outras alternativas já foram esgotadas, e essa terapia poderá melhorar sua qualidade de vida”.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Terapia VNS – Como funciona: A Terapia VNS usa um gerador, um pequeno aparelho médico como um marca-passo, que através de um condutor envia impulsos elétricos ao eletrodo ligado ao nervo vago esquerdo situado no pescoço, que por sua vez envia impulsos para o cérebro, ajudando a prevenir as alterações elétricas que causam as crises. O nervo vago é um grande elo de comunicação entre o corpo e o cérebro, responsável por enviar impulsos às partes do cérebro.

Procedimento de implante da Terapia VNS:

·         O procedimento da Terapia VNS não envolve cirurgia cerebral

·         A cirurgia é geralmente realizada sob anestesia geral, o que pode requerer uma curta estadia no hospital

·         Através de um pequeno corte o gerador de pulso é implantado sob a pele abaixo da clavícula esquerda ou próximo da axila esquerda

·         Um segundo pequeno corte é feito no pescoço para fixar dois pequenos eletrodos ao nervo vago esquerdo. Os eletrodos são ligados ao gerador por um condutor que fica embaixo da pele

·         Após a cirurgia, além das duas pequenas cicatrizes devido às incisões, quase não se pode notar o gerador que apresenta apenas uma leve elevação na pele do peito onde foi implantado

Além dos estímulos programados que o aparelho realiza, é fornecido um ímã aos pacientes, o qual permite aos pacientes ou cuidadores realizarem ativação do aparelho no momento que percebem o início de uma crise. Por meio da estimulação adicional realizada é possível parar ou diminuir a gravidade das crises epilépticas. A estimulação na hora da crise é um benefício adicional da terapia de estimulação do nervo vago, com objetivo de dar mais qualidade de vida aos pacientes e suas famílias.

 

A qualidade de vida e a saúde mental de mulheres após o diagnóstico de câncer de mama

 




Paula Benevenuto Hartmann

08 Oct. 2021


O termo “câncer de mama” pode ser entendido como uma expressão “guarda-chuva”, sob a qual designam-se diferentes formas de doenças malignas da mama. Este é o tipo de câncer mais incidente em mulheres no mundo, tendo sido estimados 2,3 milhões de novos casos no ano passado. No Brasil, o câncer de mama perde em incidência apenas para alguns tipos de tumores de pele (tipo não melanoma). É também esperado que o número de mulheres com a doença ou recuperadas dela aumente. Estudos sugerem que mulheres em tratamento para a doença possuem comprometimento da saúde mental e da qualidade de vida. Embora, uma parte deste grupo apresente recuperação cerca de 1 ano após o diagnóstico, outra parte irá manter essas alterações de forma prolongada. Neste mês de outubro, campanhas como o “Outubro Rosa”, buscam conscientizar sobre o câncer de mama.

 

Câncer de mama e saúde mental

No artigo Quality of life and mental health in breast cancer survivors compared with non-cancer controls: a study of patient-reported outcomes in the United Kingdom, publicado este ano no Journal of Cancer Survivorship, os autores pesquisaram a saúde mental e a qualidade de vida de mulheres que sobreviveram ao câncer pelo menos 1 ano após ao seu diagnóstico no Reino Unido.

Já se sabe que alguns fatores parecem estar ligados a uma pior qualidade de vida e pior saúde mental nesta população, como ter passado por quimioterapia, ter idade mais jovem ao diagnóstico, ter baixo status socioeconômico, apresentar sintomas nos membros superiores, linfedema ou fadiga persistente. Contudo, para estudar melhor as questões relativas à saúde mental (principalmente sintomas ansiosos e depressivos) e qualidade de vida dessas mulheres, os autores decidiram realizar um estudo transversal pareado.

A amostra de pacientes foi coletada nos serviços de atenção primária no Reino Unido, utilizando uma base de dados, e contavam com a participação dos centros de saúde e médicos que ali trabalhavam. Todas as mulheres deveriam ser adultas e acompanhadas no serviço público de saúde há pelo menos 2 anos. Elas foram alocadas, então, em 2 grupos: um de mulheres que eram seguidas no serviço público pelo menos 1 ano antes do diagnóstico da doença e que permaneceram sendo seguidas por pelo menos um ano após este diagnóstico e outro grupo de mulheres que não tinham história prévia de câncer (exceto de pele, tipo não melanoma), formando um grupo de controle. Foram revisados os prontuários das pacientes possivelmente elegíveis e, entre os meses de janeiro e outubro de 2019, a elas foram enviados os questionários por correio, já com as orientações para seu retorno após as respostas. As escalas enviadas avaliavam qualidade de vida, sintomas depressivos e ansiosos e dados sociodemográficos.

Saiba mais: USG adjuvante para detecção de câncer de mama entre mulheres com densidade mamária variável

Ao todo, 252 mulheres sem história de câncer e 356 sobreviventes da doença responderam e reenviaram os seus questionários. As mulheres do grupo controle tiveram uma média de idade de 65,5 anos, enquanto as sobreviventes de câncer eram, em média, um pouco mais novas, com 64,8 anos. A proporção de mulheres com um maior grau de escolaridade nos dois grupos foi semelhante (25%). Dentre as mulheres sobreviventes, o diagnóstico tinha ocorrido em média 8,1 anos antes, sendo que 54,4% tinham tumores localizados e 43,3%, doenças localmente invasivas. Ainda neste grupo, 99% foram tratadas com cirurgia — sendo 35% com mastectomia, 80% com radioterapia, 49% com hormonioterapia e 41% com quimioterapia.

Achados

Após a análise dos dados e o ajuste das análises estatísticas para diferentes variáveis de interesse, os autores perceberam que as mulheres sobreviventes de câncer de mama apresentavam mais sintomas de fadiga, disfunção sexual, problemas cognitivos e questões relacionadas à ansiedade do que aquelas do grupo controle. Os sintomas ansiosos encontrados ou estavam aumentados ou encontravam-se no limite para seu diagnóstico. Os riscos foram ainda maiores para as que apresentavam doença mais avançada ao diagnóstico ou que fizeram tratamento com quimioterapia.

Os fatores mais associados a uma pior qualidade de vida entre as mulheres sobreviventes foram:  tratamento com quimioterapia, doença mais avançada ao diagnóstico, idade mais jovem, encontrarem-se na pré-menopausa e ter um menor nível educacional. Observou-se também que mulheres mais jovens apresentaram um aumento de sintomatologia depressiva e ansiosa.

A literatura parece corroborar os achados encontrados, ou seja, que há um subgrupo de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama e que terão um pior nível de qualidade de vida. Algumas fontes destacam que, em mulheres jovens, o fator mais determinante para piora da qualidade de vida foi a progressão da doença — o que não pôde ser bem avaliado neste trabalho, já que eram poucas as pacientes com doença ativa no momento da pesquisa. Os autores do presente estudo sugerem possíveis explicações para uma pior qualidade de vida entre mulheres jovens que sobreviveram ao câncer: preocupações que envolviam a fertilidade, os filhos pequenos e/ou questões relativas à imagem corporal. Também especulam que maiores pontuações em sentimentos positivos entre mulheres mais velhas — o que poderia ser compreendido como uma melhor qualidade de vida — poderiam ser efeito de um “crescimento pós-traumático” (post-traumatic growth). Neste caso, a experiência de um evento traumático permitiria às sobreviventes apreciarem melhor os momentos da vida.

Mensagem final

Estudos como estes são importantes por chamarem a atenção para o tema, estimularem mais pesquisas, trabalhos e até mudanças em termos de saúde pública. Segundo o artigo, 8 em cada 10 mulheres no Reino Unido com câncer de mama não foram avisadas de que poderia ocorrer um impacto de longo prazo sobre sua saúde mental. Além disso, 41% não receberam ajuda profissional para lidar com essas questões. Entretanto, sugere-se que a educação sobre este assunto deveria ser trabalhada com as pacientes o mais precocemente possível. Uma revisão de abordagens não farmacológicas com a intenção de melhorar a qualidade de vida dessas mulheres sugere que a prática de yoga e de outros exercícios físicos e o uso de psicoterapias, como mindfulness e terapia cognitivo-comportamental, são benéficas. Já no aspecto farmacológico, a equipe de saúde deveria discutir mais assuntos pertinentes, como questões relativas à sexualidade e seu funcionamento nesta fase.

Esta pesquisa possui vários méritos, mas a interpretação correta de seus resultados deve considerar os seguintes fatores: este trabalho, como muitos outros estudos transversais, obteve uma baixa taxa de resposta, não sendo possível excluir um viés de seleção; dentre os questionários que foram reenviados, nem todos foram completamente respondidos, tendo algumas perguntas permanecido sem resposta; não se pode descartar também a ocorrência de viés de informação; a presença de fatores confundidores também deve ser considerada; finalmente, é possível que algumas características da amostra dificultem a generalização de seus resultados.

Contudo, os resultados apontam que um subgrupo de mulheres sobreviventes do câncer de mama pode apresentar sintomas que interferem em sua qualidade de vida e na saúde mental. Isso é o suficiente para estimular que mais trabalhos e intervenções sejam feitos buscando pesquisar quais grupos de pacientes precisam de maior atenção e como direcionar este cuidado.