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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Oportunidades de ganhos assistenciais chegam a R$ 38,9 bilhões no setor de saúde

20/12/2021

 A Planisa – empresa especialista em soluções de gestão de saúde – e a Plataforma Valor Saúde DRG Brasil uniram conhecimento e as bases de informação disponibilizadas por seus clientes para pesquisa acadêmica, para definir qual o potencial econômico do controle de desperdício no sistema de saúde brasileiro. O levantamento aponta que 53% das despesas hospitalares brasileiras são desperdícios possíveis de se controlar e, ao corrigir determinadas falhas, as oportunidades de ganhos assistenciais chegam a R$ 38,9 bilhões para o setor.

As bases assistenciais são de hospitais da saúde suplementar e do SUS, distribuídas em todo Brasil, por meio de 326 hospitais. Estas informações de saúde foram codificadas por médicos e enfermeiros especialistas. Da base de custos, participaram 78 hospitais, públicos e privados, no primeiro semestre de 2021, que usam a solução KPIH (Key Performance Indicators for Health). A análise contou com a supervisão de consultores especializados em custos hospitalares, por meio da metodologia de custeio por absorção pleno. A elevada qualidade dos dados de ambas as bases torna as conclusões mais seguras.

Em 2020, foram registradas 10.534.951 internações pelo SUS. Considerando média de permanência de 5 dias, o estudo concluiu que foram utilizadas, aproximadamente, 52,6 milhões de diárias e, destas, 26,5 milhões são desperdícios.  “Levando em consideração que o custo diário hospitalar médio apurado na base KPIH da Planisa é de R$ 799,00 em hospitais SUS e R$ 1.149,00 em hospitais da saúde suplementar, podemos estimar o desperdício do SUS por falhas de entrega de valor em R$ 21,1 bilhões, ou seja, 7,1 % dos R$ 297,3 bilhões do orçamento anual SUS”, explica o diretor de Serviços da Planisa e especialista em gestão de custos hospitalares, Marcelo Carnielo. “Na saúde suplementar, esse valor, por falhas de entrega, chega a R$ 17,7 bilhões, totalizando R$ 38,9 bilhões”, completa.

De acordo com as informações levantadas, as 4.432.566 altas hospitalares – 413.277 do SUS e 4.019.289 da saúde suplementar, consumiram 19.519.511 diárias, sendo 10.338.670 diárias (53%) desperdício por falhas de entrega de valor. O cenário na saúde suplementar (53,3%) é semelhante àquele encontrado no Sistema Único de Saúde (50,3%).

Do desperdício, 56,12% são determinados por ineficiência no uso do leito hospitalar e 17,94% por internações por condições sensíveis à atenção primária, que poderiam ser evitadas pelo aumento de eficácia nesse nível de atenção. O levantamento aponta, ainda, que 13,64% do desperdício é determinado por condições adquiridas graves, sendo que 65% delas preveníveis; 7,75 % das diárias em excesso foram utilizadas por pacientes que reinternam em 30 dias com o mesmo problema ou condição adquirida que se agravou no domicílio; 3,15% se devem à baixa resolutividade da emergência e 1,4% à não ambulatorização cirúrgica.

Carnielo ressalta que a boa notícia é que há a possibilidade de transformar o cenário em oportunidade para aumento de acesso qualificado ao povo brasileiro. “Quando se trata de desperdício do sistema de saúde, o que nos difere dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é que eles colocaram este fato como prioridade, que reflete nas políticas públicas. Temos informações apenas de algumas etapas da cadeia produtiva da saúde, ou seja, a notícia pode ser ainda melhor, pois o desperdício total da saúde certamente é bem maior”, pontua.

Um sistema de saúde de alto valor para os usuários realiza um triplo objetivo: melhorar a experiência individual de cuidado; melhorar a saúde das populações; e reduzir os custos per capita de atendimento às populações. Com isso, se controla o desperdício. “Um sistema de saúde baseado em valor é bom para todos. O paciente pode reduzir seus danos físicos, psicológicos e seus custos. A sociedade pode garantir maior acesso ao sistema de saúde e aumentar a competitividade de sua economia. Os prestadores podem ser melhor remunerados e os financiadores mais sustentáveis se controlarmos o desperdício”, elenca o presidente do Grupo IAG Saúde e co-fundador do DRG Brasil, Renato Couto. “É necessária uma concertação da sociedade centrada na entrega de valor em saúde ao usuário e compartilhamento dos recursos do controle do desperdício para um novo ciclo de entrega de mais acesso qualificado a sociedade brasileira”, conclui Couto.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Crianças apresentam resposta imune diferenciada em comparação a adultos para SARS-CoV-2


 16/12/2021


Crianças infectadas pelo vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, costumam apresentar uma forma mais leve da doença quando comparadas aos adultos, e a mortalidade de crianças pela doença é menos frequente, segundo o infectologista pediátrico do PROADI-SUS e do Hospital Moinhos de Vento, Marcelo Comerlato Scotta.

No estudo “Pediatric COVID-19 patients in South Brazil show abundant viral mRNA and strong specific antiviral responses”, que será publicado na Nature Communications, revista científica de alto impacto, os pesquisadores demonstraram que, apesar de apresentarem títulos virais semelhantes aos dos adultos, as crianças apresentam uma resposta imune diferencial. A pesquisa faz parte do Estudo COVIDa, projeto realizado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), numa parceria com o Ministério da Saúde e os Laboratórios de Imunoterapia e Imunovirologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento. A iniciativa foi criada com o objetivo de gerar dados sobre o comportamento do vírus e avaliar resposta imune contra o novo Coronavírus.

A próxima etapa, que já está em andamento, avalia a memória imunológica desenvolvida pelas crianças após a infecção, estudando o período de 3 a 6 meses depois; por quanto tempo ficam protegidos; e quais as diferenças e semelhanças da resposta de memória nas crianças e adultos com o passar do tempo.

Dados obtidos

Foram analisadas amostras de 91 pacientes diagnosticados com Covid-19, representando grupos de crianças; adultos com doença leve; e adultos com doença grave. As crianças, todas com sintomas leves, apresentaram respostas específicas robustas contra o vírus, tanto de anticorpos como de células T, com diferenças importantes no tipo de células responsáveis pela resposta antiviral. O nível geral de resposta não é diferente dos adultos, mas a qualidade de resposta observada é o grande achado do estudo. Esses achados contribuem com o melhor entendimento sobre a resposta contra o vírus e podem auxiliar em estratégias de enfrentamento da pandemia, como desenvolvimento de vacinas.

O estudo tem impacto internacional, porque contribui para desvendar os mecanismos da resposta imune em crianças infectadas por Covid-19, que é diferente do que se observa em adultos.

O responsável técnico pelo Estudo COVIDa no Hospital Moinhos de Vento, Dr. Renato T. Stein, explica que o estudo contempla uma série de análises que ajudarão também a traçar um panorama aprofundado do comportamento do vírus SARS-CoV-2 em populações com diferentes níveis socioeconômicos. “Iniciamos a coleta de amostras em maio de 2020, praticamente no início da pandemia, levando em conta diversas particularidades, desde níveis socioeconômicos, faixas etárias e até mesmo padrões genéticos que podem influenciar no comportamento do vírus. Várias análises ainda estão em andamento, no entanto, é inegável a relevância de uma pesquisa desse porte sendo feita durante a pandemia no Brasil. A partir dos resultados iniciais que mostram um evidente padrão de resposta diferenciada entre adultos e crianças, começam a surgir propostas de intervenções e medicações ajustadas para esses grupos etários”.

A análise das amostras foi conduzida na UFCSPA, nos laboratórios de Imunoterapia, liderado pela Dra. Cristina Bonorino, e Imunovirologia, liderado pelo Dr. Luiz Rodrigues. A especialista comenta sobre a importância da iniciativa. “O estudo é um dos poucos que analisa em detalhe a imunidade em crianças com Covid-19, abordando a resposta de anticorpos e de células imunes à infecção natural pelo SARS-CoV-2. O Estudo COVIDa também traz dados detalhados sobre a imunidade de adultos, cruciais para o mapeamento da imunidade da população brasileira atingida pelo vírus, dada a escassez de dados nessa área”.

O Superintendente de Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento, Luis Eduardo Mariath, destaca que a parceria com o Ministério da Saúde por meio do PROADI-SUS está alinhada aos objetivos da organização.

“Estamos fomentando ciência e geração de conhecimento com importante retorno à comunidade. Em um momento extremamente desafiador, unimos esforços, reforçando o nosso compromisso de gerar mudanças positivas e entregar conhecimento para a sociedade”.

PROADI-SUS

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, PROADI-SUS, foi criado em 2009 com o propósito de apoiar e aprimorar o SUS por meio de projetos de capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, gestão e assistência especializada demandados pelo Ministério da Saúde. Hoje, o programa reúneseis hospitais sem fins lucrativos que são referência em qualidade médico-assistencial e gestão:Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP A Beneficência Portuguesa de São Paulo, HCor, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês.Os recursos do PROADI-SUS advém da imunidade fiscal dos hospitais participantes. Os projetos levam à população a expertise dos hospitais em iniciativas que atendem necessidades do SUS. Entre os principais benefícios do PROADI-SUS, destacam-se a redução de filas de espera; qualificação de profissionais; pesquisas do interesse da saúde pública para necessidades atuais da população brasileira; gestão do cuidado apoiada por inteligência artificial e melhoria da gestão de hospitais públicos e filantrópicos em todo o Brasil. Para mais informações sobre o Programa e projetos vigentes no atual triênio, acesse o portal PROADI-SUS.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Saúde mira executivos do alto escalão em 2022, revela pesquisa

 

16/12/2021


A tecnologia vai continuar ditando os rumos do mercado de trabalho em 2022. É o que evidencia o levantamento anual realizado pelo PageGroup, referência mundial em recrutamento especializado de executivos de todos os níveis hierárquicos. A consultoria traz a lista de cargos que estarão em alta no próximo ano, com destaque para posições ligadas a transformação digital, comércio eletrônico, inovação e desenvolvimento. O material, produzido pelos consultores da Page Executive, Michael Page, Page Personnel, Page Interim, Page Outsourcing e Page PCD, traz as profissões com maior possibilidade de demanda a partir de análises de mercado e tendências de contratações das empresas para o próximo ano. Os cargos considerados nessa lista contemplam o alto escalão, média e alta gerência, níveis técnico e de suporte à gestão, além de terceiros e temporários.

“A expectativa de retomada de crescimento pós-pandemia, com o avanço índice de vacinação e retorno das atividades econômicas, está provocando uma busca cada vez maior por profissionais dos setores de Marketing e Tecnologia, responsáveis pela transformação digital, sobretudo aquelas que investiram nisso durante a pandemia. A expansão de empresas em negócios online deve seguir em alta em 2022”, explica Gil van Delft, presidente do PageGroup no Brasil. “Mas também detectamos uma forte tendência para contratações de executivos ligados a planejamento financeiro, redução de custos e expansão de novos mercados, além de um maior volume de posições ligadas à diversidade e inclusão”, completa.

Para estruturar essa relação, o PageGroup consulta permanentemente empresas de todos os portes (pequena, média e grande) em 14 setores de todo o Brasil. A partir dessa conversa e do entendimento das reais necessidades de contratação, os consultores consolidam essas informações e produzem a relação final dos cargos com maior possibilidade de demanda das empresas.

Confira a lista referente a área de saúde:

Cargo: diretor de operações hospitalar

O que faz: tem a responsabilidade de gerenciar a unidade hospitalar perante a cadeia operacional: atendimento, nutrição, higienização e limpeza, manutenção hospital, farmácia e suprimentos, além de relacionar-se indiretamente com os setores: faturamento, relacionamento com parceiros, segurança e materiais/OPME. Deve traçar o planejamento estratégico e metodologias para problemáticas, tentando encontrar o equilíbrio financeiro e produtivo da unidade. Esse profissional, junto às áreas envolvidas, é o ponto principal de viabilidade de expansão de novos serviços e implementação de novos leitos nas diversas complexidades, complementando a volumetria/produção da unidade, bem como a rentabilidade. Garante os fluxos de processos recomendados por órgãos hospitalares e indicadores.

Perfil da vaga: necessário formação superior e pós-graduação voltados a Administração Hospitalar, Gestão em Saúde e Gestão de Pessoas. Experiência na gestão operacional no ambiente hospitalar é uma vivência muito importante e na parte comportamental do profissional deve manter o foco estratégico e analítico para o atingimento dos resultados, bem como o gerenciamento de pessoas e processos complexos.

Salário: R$ 30 mil a R$ 45 mil

Motivo para a alta: a demanda por esse profissional está crescente e deve continuar por conta da consolidação e profissionalização do setor, além do momento do mercado em verticalização e novas aquisições e fusões.

Cargo: diretor comercial – medical devices

O que faz: cuida de toda estrutura de vendas da empresa, e em algumas estruturas essa posição pode abranger marketing também. É a posição que vai olhar para todos os clientes, empacotando e oferecendo soluções adequadas a cada necessidade.

Perfil da vaga: esse profissional é o responsável pela criação do plano de apresentação ao mercado para sua linha de produtos. Ele atua na esfera estratégica e também na tática, respondendo pela elaboração e execução do plano comercial junto com sua equipe. Seu objetivo principal é o crescimento do volume de vendas, rentabilidade, incremento do seu catálogo no mercado, além das áreas de suporte ao cliente e pós-venda. Ele pode atuar nos canais público e privado com venda direta ou em parceria com representantes e distribuidores.

Salário: R$ 30 mil a R$ 45 mil + 4 salários

Motivo para a alta: por conta do grande aumento do número de leitos em hospitais públicos e privados, a demanda por dispositivos médicos, principalmente consumíveis e equipamentos, vai continuar alta para os próximos meses por uma margem substancial. Esse crescimento resultará numa procura por profissionais que consigam criar um plano de negócios robusto e executá-lo da melhor forma para absorver a maior parte desta alta.

Cargo: CEO – Hospitais

O que faz: tem a responsabilidade de garantir que todos os aspectos do desempenho dos hospitais estejam funcionando de maneira eficiente. Ele precisa encontrar um equilíbrio na gestão das operações do dia a dia, relacionados à operação assistencial e jornada do paciente, e ao mesmo tempo, liderar iniciativas de desenvolvimento estratégico, necessárias para o sucesso a longo prazo.

Perfil da vaga: o responsável por fornecer a estratégia para entregar a melhor qualidade de atendimento ao paciente, pela liderança e formação da equipe enquanto cria uma cultura positiva e produtiva, por definir os padrões de excelência operacional, além de zelar pela conformidade exigida nos regulamentos estaduais e federais, e nas políticas do hospital. Como todo CEO, é também quem responde pelos lucros e perdas da organização, buscando sempre um saldo positivo da operação.

Salário: R$ 40 mil a R$ 60 mil

Motivo para a alta: a demanda por líderes hospitalares experientes está maior do que nunca, e deve continuar crescendo por conta da forte onda de consolidação e profissionalização do setor. As grandes redes hospitalares e operadoras de saúde verticalizadas devem buscar CEOs para liderar suas novas estruturas, enquanto hospitais pequenos e médios devem acompanhar essa onda de profissionalização do setor, buscando fortalecer sua liderança com executivos que tenham experiência para gerenciar todo o hospital.

Cargo: médico do trabalho – coordenador

O que faz: o médico coordenador contratado por determinada empresa ou indústria tem a responsabilidade de fazer a gestão da equipe médica e acompanhar o andamento da saúde dos colaboradores por meio de exames ocupacionais e assistenciais, assim como definir ações de melhoria por meio de programas preventivo e/ou corretivos.

Perfil da vaga: normalmente é contratado por uma organização com número elevado de funcionários e certo grau de risco para definir a melhor estratégia a fim de reduzir os níveis de absenteísmo e prevenir a possível incidência de determinada patologia ocupacional.

Salário: R$ 8 mil a R$ 10 mil para 15 horas semanais

Motivo para a alta: a demanda por um médico do trabalho coordenador tem sempre se mostrada elevada, porém com o advento da pandemia, as indústrias têm requisitado ainda mais esse perfil de profissional por conta de ações necessárias para prevenir e monitorar a incidência e disseminação de casos de Covid-19 dentro do ambiente de trabalho.

 

sábado, 18 de dezembro de 2021

Projeto de indicadores de qualidade hospitalar auxilia avaliação de serviços prestados por instituições privadas


 16/12/2021


Com o objetivo de incentivar o debate sobre a qualidade na assistência à saúde, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), promove a continuidade do projeto de indicadores de qualidade hospitalar, lançando um novo documento com dados das instituições associadas. A íntegra da publicação está disponível no link.

Segundo o diretor-executivo da Anahp, Antônio Britto, além de nortear as decisões administrativas dos hospitais associados, o projeto tem como finalidade estimular o aprimoramento das instituições. “Esses dados nos ajudam a enxergar onde estão as oportunidades de melhoria contínua, além de avaliar a eficácia e a efetividade das medidas aplicadas para este fim. As informações ficam disponíveis para consulta e servem como base para que os contratantes conheçam mais profundamente os serviços que estão contratando. No final das contas, quem ganha é o paciente”, afirma.

O documento da Anahp que traz dados referentes ao 3º trimestre de 2021, aponta que a taxa de mortalidade institucional dos hospitais associados caiu de 3,25% no mesmo período de 2020, para 2,54% deste ano. “Nessa análise, há uma série de fatores que precisam ser levados em consideração, como gravidade, idade e comorbidades do paciente, entre outros. Mas a lógica para avaliação desse índice é sempre quanto menor, melhor”.

Outro indicador que apresentou melhora no 3º trimestre de 2021, em comparação com o mesmo período do ano anterior é a taxa de partos normais, que saiu de 18,69% para 21,37%. “Essa informação está em concordância com a forte mobilização da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para reduzir as taxas de cesarianas no Brasil”, reforça o executivo.

A publicação sobre qualidade hospitalar da Anahp demonstra o desempenho dos 124 hospitais associados e tem periodicidade trimestral, contando com 16 indicadores.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Eficiência logística em hospitais: Projeto pioneiro para melhorar gestão de estoque de dispositivos implantáveis


 16/12/2021


Melhorar a eficiência na gestão da saúde está na lista de prioridades dos principais executivos do setor no país. A transformação digital e a incorporação de inovação nas mais diversas etapas do ciclo produtivo trouxeram um extraordinário benefício à Medicina, sobretudo na precisão de diagnósticos e cirurgias. Mas como incorporar inovação para melhorar processos e ainda por cima contribuir para uma melhor sustentabilidade dos negócios?

O desafio foi aceito por um trio de empresas que tem a inovação no DNA: a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, um dos principais hubs de saúde do País; a Boston Scientific, líder global em tecnologia médica; e a GTPlan, empresa de tecnologia voltada ao segmento de supply chain. Juntas, as empresas investiram em uma iniciativa pioneira no segmento de Saúde que, a partir do uso de uma solução de vendor managed inventory (VMI), prevê a colaboração no gerenciamento em tempo real do estoque em consignação de órteses, próteses e materiais especiais (OPME).

“Uma das principais finalidades é melhorar a gestão desses itens, garantindo os insumos necessários para cada atendimento dentro da instituição. Estamos contentes com esse projeto criativo e inovador e queremos sempre dialogar com parceiros que nos ajudem a pensar em soluções inteligentes para questões importantes do nosso dia a dia”, afirma Denise Santos, CEO da BP.

Do total de OPME cadastrados na BP, cerca de 20% (5 mil) estão na categoria de consignados. E uma vez que a reposição desse tipo de material ocorre somente depois dos respectivos ciclos de faturamento (da fabricante contra a BP e da BP contra a fonte pagadora), o estoque de materiais consignados tem que ser bem maior do que a demanda de consumo mensal.

Batizado de Projeto Turing, o principal objetivo dessa iniciativa é melhorar o ciclo de abastecimento desses itens, garantindo que os produtos necessários para os procedimentos cirúrgicos realizados na BP estejam sempre disponíveis, sem que para isso haja necessidade de grandes volumes de estoque. “Queremos dar aos pacientes cada vez mais acesso aos nossos produtos. Temos que garantir que os médicos tenham nossa tecnologia, a toda e qualquer hora que precisarem, para que possam salvar e transformar vidas. Esse projeto evita desperdícios, o eventual descarte de materiais não utilizados que se aproximam do prazo de validade, e permite a otimização do estoque em campo, trazendo ganhos para toda a cadeia envolvida”, explica Eduardo Verges, presidente da Boston Scientific do Brasil.

Por meio de uma integração de sistemas com base em VMI, uma série de alertas automáticos são disparados cada vez que um material é usado e com isso a reposição passa a ser quase imediata (cerca de 24 horas), sem a necessidade de uma intervenção manual e de um grande volume de estoque.

“Nós temos auxiliado empresas de diversos segmentos a fazerem uma melhor gestão de ativos, mas é a primeira vez que um projeto desse tipo é aplicado para a gestão de OPME consignados. Esse é um exemplo de excelência em gestão só possível de ser implantado com a união de esforços de instituições como a BP e a Boston Scientific, que têm o olhar voltado para a inovação no setor de Saúde”, afirma Thiago Fialho, CEO da GTPlan.

Expansão

As tratativas iniciais para colocar de pé o projeto Turing tiveram início em 2020. A Boston Scientific encontrou na BP uma das instituições com os melhores processos e ferramentas de gestão de estoque de consignados e entendeu que a instituição tinha o nível de maturidade de gestão necessários para avançar em eficiência e velocidade. “Escolhemos a BP para ser a primeira parceria dessa iniciativa, pois ela apresentou evidências de gestão e muita experiência para torná-lo possível. Este certamente não é um projeto pontual, mas o começo de uma história muito maior, que vai levar inteligência e inovação para outros níveis de gestão, contribuindo para a sustentabilidade de todo o setor de Saúde”, diz Luis Roberto Cunha, diretor de Supply Chain Latam da Boston Scientific.

Como o projeto é totalmente escalável a outros clientes, a Boston Scientific já estuda expandir o Projeto Turing para outras regiões do Brasil e também para outros países na América Latina onde a empresa atua.

Para a BP o projeto também representa a oportunidade de envolver outros parceiros nesse modelo de gestão de estoque, já que muitos outros fornecedores integram a cadeia de suprimentos da instituição. “O controle e a total visibilidade dos materiais em estoque, bem como a reposição no tempo adequado, são vitais para garantirmos nossa operação e, por isso, já trabalhamos com a possibilidade de expandir esse projeto para outros tipos de materiais e outros parceiros”, conclui Ana Paula Melo, gerente-executiva de Farmácia e Logística da BP.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Artigo – A corrida por aquisições no setor de hospitais


 14/12/2021


Alguns fatores têm contribuído para o aumento do número de empresas gestoras de hospitais, abrindo capital com elevados múltiplos de avaliação, culminando numa corrida pela consolidação do setor. Fatores macro como o aumento da expectativa de vida, o aumento da renda média familiar, o fraco serviço e leitos insuficientes do SUS, entre outros, contribuem para a atratividade desse mercado, que tem como principais players listados em bolsa a Rede D’Or, Mater Dei, e Kora Saúde. Interessante notar que o Brasil possui 2,4 médicos por mil habitantes, mesma taxa do Japão e próxima dos Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7) e Reino Unido (2,8), mas ainda ocupa a 37ª posição no que tange aos gastos per capita na área de saúde, gap que espero ser estreitado nos próximos anos.

As empresas atuantes nesse segmento foram, em sua maioria, formadas por médicos que ao longo de décadas geriram as instituições como braços de suas práticas médicas, de forma que a profissionalização em geral foi tardia. É bastante comum encontrar hospitais, por exemplo, constituídos por sociedades de dezenas de médicos, com baixas margens operacionais, elevadas dívidas e passivos fiscais, enquanto as receitas e dividendos são mantidos nas pessoas físicas desses profissionais. Isso não significa que o negócio em si é ruim, mas apenas mal gerido. Isso é um prato cheio para empresas estruturadas realizarem aquisições, reestruturarem operações e capturarem um valor grande deixado na mesa pelos sócios antigos.

A fragmentação e ausência de gestão profissional (em escala adequada) também é uma tese interessante para fundos de private equity entrando no setor objetivando consolidação, como o caso da Athena Saúde do Pátria, fundada em 2017 com a aquisição do Grupo Med Imagem no Piauí, e uma série de aquisições desde então, cujo IPO (almejando R$ 2,5 bilhões de captação) que deveria ocorrer esse ano foi postergado para um futuro não muito distante.

A Rede D’Or (8.788 leitos), com IPO de R$ 11,4 bilhões (dez/20), realizou 17 aquisições desde 2010, e aparece como líder no setor, com receita bruta dos últimos 12 meses (base 2T/21) de R$ 20,1 bilhões (R$ 2,3 milhões/ ano/ leito) e EBITDA de R$ 5,2 bilhões (25,7%), com dívida líquida equivalente a 1,7x seu EBITDA.

A Mater Dei (646 leitos), IPO de R$ 1,4 bilhões (mai/21), iniciou sua estratégia de aquisições em julho/21 com a aquisição do Grupo Porto Dias (maior rede privada de hospitais da região Norte), por R$ 1,1 bilhões (R$ 800 milhões pagos com caixa). A Mater Dei teve nos últimos 12 meses (base 2T/21) de receita bruta de R$ 965 milhões (R$ 1,5 milhões/ano/leito) e EBITDA de R$ 249 milhões (25,8%), e em junho tinha caixa líquido de R$ 1,1 bilhões, o que deve reduzir para R$ 300 milhões com aquisição recente.

A Kora Saúde (1.096 leitos), que já havia adquirido 2 operações entre fevereiro e julho/2021, realizou seu IPO de R$ 770 milhões (ago/21) e anunciou as primeiras aquisições, ainda que tímidas, do hospital são Mateus em Fortaleza e do Instituto de Neurologia de Goiânia. A Kora teve nos últimos 12 meses (base 2T/21) Receita Bruta de de R$ 891 milhões (R$ 810 mil/ ano/ leito) e EBITDA de R$ 167 milhões (18,7%), e em junho/21 tinha dívida líquida equivalente a 10x seu EBITDA, alavancagem considerável que, considerando os recursos do IPO, caiu para 5,7x.

Quando olhamos para o Enterprise Value (valor das ações mais dívida líquida), temos a Rede D’Or avaliada em 28x EBITDA (R$ 16,4 milhões/leito), a Mater Dei avaliada em 26x EBITDA (R$ 10,1 milhões/leito) e a Kora avaliada em 40x EBITDA (R$ 6,1 milhões/leito). As avaliações (R$/leito) das empresas listadas superam múltiplas vezes o valor de aquisição por leito das empresas adquiridas, que em média, analisando as principais aquisições do setor desde 2010, foi de R$ 1,5 milhões por leito. A tese de consolidação parece fazer sentido, uma vez que, além dos benefícios da diluição de custos e ganhos de sinergia, tem como vantagem a arbitragem de múltiplos (comprar barato e “vender” caro). Os elevados múltiplos das listadas carregam uma expectativa do mercado, de aumento substancial do fluxo de caixa livre nos próximos anos, que precisa ser comprovado na prática, com a entrega de retornos sobre o capital investido pelos acionistas.

Comparando as 3 empresas, alguns pontos me chamam a atenção: (i) elevada alavancagem da Kora, que limita sua capacidade de crescimento com dívida. O crescimento via aquisição precisaria ser financiado com equity num possível follow on (nova emissão de ações), entretanto, o valuation da empresa já está consideravelmente superior às demais comparáveis, o que provavelmente forcaria uma captação com diluição maior dos acionistas atuais, ainda, sua Receita e EBITDA por leito são bem menores do que seus comparáveis; (ii) apesar de ser 20x maior que a Mater Dei, e possuir receita por leito também maior, a Rede D’Or tem EBITDA/Receita Bruta ligeiramente menor, o que me leva a conclusão que podem existir ainda sinergias a serem capturadas pela Rede D’Or em suas aquisições; e (iii) a Mater Dei possui caixa líquido, e possibilidade de alavancagem saudável, ou seja cerca de R$ 1,0 bilhão adicionais que lhe permitiriam adquirir cerca de 700 leitos adicionais (considerando os 388 leitos adquiridos recentemente, a empresa aumentaria em 157% seu número de leitos), que, considerando o “spread” entre o múltiplo atual e o múltiplo médio de aquisição do setor, podem gerar valor interessante.

Saliento alguns pontos de cautela: (i) os múltiplos de avaliação por leito adquirido tenderão a aumentar no futuro tornando as aquisições mais caras, (ii) os desafios da integração/ consolidação de operações, que não são fáceis, portanto, considerar com parcimônia os ganhos de sinergia; e (iii) levar em conta que o ano de 2021 foi favorável aos operadores hospitalares, dada a 2ª onda do Covid. Houve melhora dos resultados de curto prazo. Assim, assim recomendo uma análise mais detalhada, desconsiderando o efeito não-recorrente, para determinação do um fluxo de caixa de longo prazo, dado que o lucro por leito pode cair quando comparado com os últimos 12 meses. Note que os resultados das operadoras de planos de saúde (que são a contraparte dos hospitais), como Hapvida/GDNI/Bradesco/Sul América, tiveram queda abrupta nos lucros dos no mesmo período.

A presente análise foi realizada com informações disponíveis publicamente, não sendo recomendação de aquisição ou investimento. Avaliações bem mais aprofundadas se fazem necessárias afim de tomadas de decisão.


Estevão Seccatto Rocha é professor de Turnaround na FIA Business School. Engenheiro naval (Poli/USP), extensão em economia (Harvard), finanças e marketing (FEA/USP), tecnologia (Singularty University), mestrando (University of Liverpool). Foi head global de M&A da Atento (NYSE), reestruturador de empresas pela KPMG e IVIX , diretor da G4S (LSE) e associado no private equity Artesia. Assessorou mais de uma centena de empresas

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Artigo – Saúde dependerá do grau da maturidade digital de hospitais, clínicas e laboratórios


 14/12/2021


Em 2022, a ênfase em saúde digital será mais forte do que nunca, no Brasil e no mundo. Estudo da Organização Mundial da Saúde  mostra que até 2025, a integração entre medicina e tecnologia será crítica para garantir a entrega de serviços de saúde a todas as populações, em todos os países. Pesquisa da empresa de digital health Zebra Technologies divulgada em novembro de 2021 entra nos detalhes dessa jornada. Esse levantamento foi feito a partir de 1532 entrevistas com profissionais de saúde e de TI de dez países, incluindo o Brasil (305 das respostas). Cinco áreas são as que mais preocupam as pessoas que trabalham com saúde: monitoração remota dos pacientes por meio de dispositivos IoT, melhoria contínua das condições da telemedicina (consultas virtuais baseadas em videoconferência), uso de recursos de inteligência artificial e Big Data para analisar dados e suportar pesquisas, promover a interoperabilidade entre diferentes plataformas/tecnologias de saúde e, finalmente, usar recursos de nuvem de forma segura (privacidade de dados).

A inovação em medicina passa, necessariamente, pela disseminação do uso de tecnologias cada vez mais avançadas e disruptivas. Isso é feito dentro de uma visão colaborativa em que a infraestrutura digital garante a conexão entre profissionais de saúde localizados em diferentes instituições, cidades, países.

Orçamentos reduzidos

O outro lado desse quadro diz respeito às condições reais enfrentadas pelo setor de saúde em relação à essa evolução. Pesquisa realizada pelo Gartner no final de 2020 com 1000 CIOs de várias verticais e 64 países – incluindo líderes brasileiros de tecnologia da vertical saúde – revela que 41% dos CIOs do setor de saúde disseram que enfrentam, ano após ano, reduções em seus orçamentos.

O quadro fica ainda mais complexo quando se analisa os desafios trazidos pela relação entre a extensão geográfica do Brasil e a real oferta de profissionais de saúde.  Dados do Conselho Federal de Enfermagem de março de 2021 indicam que o Brasil conta com 6.649.307 profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. Esse contingente está distribuído de forma não homogênea pelo país. Segundo o Conselho Federal de Medicinal, o país conta com 1 médico para cada 470 habitantes. Nas regiões Norte e Nordeste, porém, a quantidade chega a 1 médico para cada 953,3 e 749,6 brasileiros, respectivamente.

A pandemia acelerou o uso de soluções de saúde digital em todo o país, representando uma solução inovadora para esse quadro.

É nesse contexto que, em 2022, torna-se premente prevenir as falhas na gestão dos ambientes digitais de hospitais, clínicas e laboratórios. A meta é incluir os recursos digitais da organização de saúde dentro de uma visão de governança que trabalhe pela continuidade dos processos, a favor da vida.

Heterogeneidade dos ambientes de saúde traz desafios ao gestor

Muitas das dificuldades são causadas pela profunda heterogeneidade dos dispositivos e plataformas digitais utilizados no setor de saúde. São tecnologias que nasceram proprietárias e, muitas vezes, sem conectores para o ambiente de TI. Essa realidade faz de um hospital, por exemplo, uma colcha de retalhos de protocolos e tecnologias díspares.

Um médico pode, por exemplo, ter problemas para acessar as imagens de raios X em seu tablet, durante uma visita ao leito do paciente. Diante dessa falha, o profissional pode ligar inicialmente para a estação de raios X, pedindo ajuda. Se a indisponibilidade continuar, é provável que o médico tenha de acessar o Service Desk da TI do hospital. Nesse momento, o profissional do Service Desk irá checar as condições do PACS (SACI – Sistema de Arquivamento e Comunicação de Imagens). Se nenhum erro for identificado, é possível que o chamado escale dentro da TI – será necessário realizar checagens sobre a rede e os sistemas de TI, como bancos de dados, sistemas de armazenamento, servidores, rede e WLAN. Quando o erro que impede o médico de trabalhar é finalmente identificado e corrigido, diversos departamentos e numerosos sistemas proprietários de diversos setores terão sido envolvidos.

Isso é o oposto do que acontece com a organização de saúde que utiliza uma plataforma de monitoramento “White Label” que integra em uma única interface todos os dados de todos os dispositivos e sistemas hospitalares e de TI. Com isso, a área de TI conseguirá contar com um ponto central de monitoramento de todo o seu ambiente digital. Quando for necessário, poderá configurar dashboards específicos para profissionais de saúde que precisam ter uma visão detalhada do que se passe em seu setor, em cada uma das tecnologias digitais em uso.

Falhas digitais afetam o atendimento ao paciente

Além de evitar danos causados ​​por interrupções e perdas de desempenho, o monitoramento pode desempenhar um papel importante em ajudar a organização de saúde a economizar dinheiro: o monitoramento de longo prazo otimiza as infraestruturas de TI e o tempo dos profissionais desta área. Uma solução de monitoramento para um hospital inteiro, por exemplo, unifica o cenário dos aplicativos e libera os experts em TI para se focar em inovação.

Para isso, a plataforma precisa ser fácil de usar e, acima de tudo, oferecer a possibilidade de preparar claramente as informações certas para as pessoas certas – incluindo médicos –, alertando as pessoas relevantes de maneira direcionada e usando mecanismos de escalação para garantir que nenhum alarme passe despercebido.

Sem a correta resolução dos desafios de monitoração da ultracrítica vertical saúde, a maturidade digital da organização de saúde fica fragilizada e o atendimento aos pacientes, também.

Privacidade de dados

É importante, ainda, que a solução de monitoramento escolhida não possa acessar dados de pacientes diretamente, mas somente registrar o status dos dispositivos ou as informações acerca do transporte e armazenamento dos dados. Dessa maneira, a organização de saúde trabalhará alinhada à LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados.

Às vésperas de 2022, é fundamental elevar o grau da maturidade digital de hospitais, clínicas e laboratórios. Simplesmente não é mais possível falar de saúde e não falar de saúde digital. Quanto mais sólida e monitorada a base tecnológica desse setor, melhor será a saúde do brasileiro.