Crise financeira da Santa Casa vira briga política
Governos trocam farpas e, no final das contas, mais de R$ 70 milhões deixaram de entrar na entidade
Pronto-Socorro Central da Santa Casa / Arquivo/ Diário SP
Por: Lucilene Oliveira
lucilene.oliveira@diariosp.com.br
A grave crise financeira da Santa Casa de São Paulo, que levou ao
fechamento do pronto-socorro do hospital na região central da capital
paulista por quase 30 horas na semana passada, se tornou pano de fundo
para uma briga política e eleitoral entre os governos federal e
estadual.lucilene.oliveira@diariosp.com.br
O foco principal não é mais os pacientes que aguardam horas para serem atendidos na entidade, mas sim a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo paulista.
Depois de ser acusado pelo Ministério da Saúde, cujo ex-titular é o candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, de não ter repassado cerca de R$ 54 milhões para financiar a Santa Casa em 2013, o secretário estadual da pasta, David Uip, disse que parte dos números na tabela é falso.
Uip assumiu a secretaria em setembro do ano passado justamente para defender a política de saúde do governador Geraldo Alckmin (PSDB), favorito à reeleição. “Os contratos mostram que o dinheiro foi absolutamente repassado”, disse.
Do outro lado, o ministro Arthur Chioro, sucessor de Padilha, insiste que, só este ano, São Paulo “deve” R$ 20,6 milhões à Santa Casa. Uip rebate dizendo que a tabela apresentada pelo ministério possui “erros grosseiros”. De acordo com ele, dois repasses mensais de R$ 3 milhões foram contabilizadas em duplicidade. Uma verba adicional de mais de R$ 1 milhão, que começou a ser paga em janeiro deste ano, aparece na tabela desde agosto de 2013.
“A tabela compromete duas vezes o mesmo dinheiro, justamente os R$ 72 milhões não repassados”, afirmou Uip. “Estou encaminhando para o ministro um pedido de R$ 72 milhões, já que ele falou ter contabilizado esse repasse.” Horas depois, o ministério reafirmou, em nota, que o repasse, a menos por parte do governo estadual, soma mais de R$ 74 milhões entre “janeiro de 2013 e maio deste ano”. A pasta federal nega que tenha havido duplicidade nas contas e, sobre o valor de mais de R$ 1 milhão por mês, diz que “o pagamento foi feito em dezembro retroativo a agosto”.
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