21/02/2022
Utilizadas largamente nas
áreas de educação e entretenimento, as tecnológicas hápticas, ou táteis, vêm
ganhando aplicações profissionais no setor de saúde, juntamente com a realidade
virtual, a realidade aumentada e a visualização 3D. Segundo Guilherme Hummel,
coordenador científico da Hospitalar Hub, a internet 5G é uma das responsáveis
pela evolução dessa tecnologia. A alta velocidade, a conexão massiva de
dispositivos e a baixa latência da 5G permitirão, por exemplo, que um
equipamento vestível possa conter cerca de 150 sensores funcionando sem
interferência. “Nessa dimensão, a Internet das Coisas se tornará a Internet dos
Corpos, propiciando às pessoas atualizarem seu personal-link,
adicionando dispositivos, sensores ou chips em seus corpos”, preconiza.
Com o crescimento da consulta médica virtual, roupas
hápticas dotadas de centenas de sensores integrados a inteligência
artificial ajudarão no diagnóstico à distância, possibilitando aos pacientes
sentirem o toque médico a milhares de quilômetros. Já há aplicações que contêm
nuvens de dispositivos tão pequenos quanto grãos de sal. Cada um possui
sensores, nanocâmeras e mecanismos de comunicação que coletam e enviam dados
para centrais de inteligência artificial. Ao detectarem luz, temperatura,
vibração, magnetismo ou produtos químicos, os sensores acoplados ao paciente
permitem ao médico mensurar os sinais corporais e fazer o diagnóstico
remotamente. “Esses recursos fornecerão feedback instantâneo
sobre tratamentos, terapias e controles de ingestão medicamentosa”, comemora
Guilherme Hummel.
Reabilitação e deficiência
As aplicações médicas hápticas poderão revolucionar as áreas
de reabilitação neuropsicológica e cognitiva e até a reeducação
sensorial. Vestíveis táteis para profissionais de saúde já são
uma realidade. É o caso de uma jaqueta inteligente que orienta
os neurocirurgiões a evitar danos em estruturas críticas, como vasos
sanguíneos e sistemas nervosos, nos procedimentos invasivos cerebrais. Ao todo,
16 micromotores vibratórios, dispostos em dois círculos na parte de trás da
roupa, alertam o cirurgião sobre a distância dessas estruturas. Os elementos
são conectados ao sistema de neuronavegação, que usa vibrações para
indicar ao médico a distância que seu bisturi está de estruturas críticas.
A peça foi desenvolvida pela mesma empresa que criou um cinto com feedback tátil
usado por pessoas com “perda vestibular bilateral”, uma condição que piora o
equilíbrio e dificulta a caminhada e o senso de direção do paciente. As roupas
táteis também irão registrar a atividade elétrica dos músculos, que será
traduzida em “movimentos pretendidos” a partir do aprendizado de máquina. Com
isso, pessoas amputadas controlarão as próteses de mãos e pés.
No fundo, o feedback tátil é
uma excelente forma de substituição sensorial, podendo repor um sentido e
transmitir informação ao usuário. No futuro, deficientes visuais poderão
usufruir dos tecidos táteis. A prevenção de obstáculos, por exemplo, é uma
tarefa colossal para eles. Muitos projetos de suporte à “navegação de cegos”
foram frustrados por diferentes problemas, sendo que a maioria falhou em
fornecer um feedback multidimensional.
Um estudo publicado em 2022 mostra que é possível
um sistema prevenir obstáculos combinando câmera 3D e
uma luva de feedback tátil. Em
teste de funcionalidade, ele foi capaz de identificar e localizar
corretamente 98,6% dos padrões de vibração e 70% dos
padrões de vibração multidirecional – avaliação em total escuridão. Trata-se de
uma oportunidade de suporte virtual ao deficiente, que não demorará em chegar
ao mercado assim como dispositivos que permitem a leitura em braile por
meio de ultrassonografia. Inclui 256 transdutores ultrassônicos (pequenos
alto-falantes), que emitem ondas ultrassônicas na direção dos dedos do usuário.
Luvas hápticas já possibilitam que pessoas sintam objetos
virtuais (avatares) através de bolsas de ar. Robôs não serão
mais sem-tato, terão ‘pele’, que poderá fornecer a sensação tátil dos
humanos. “No futuro, braçadeiras táteis coletarão informações
biométricas permitindo a análise do movimento físico do usuário
em níveis granulares, podendo até prever o aparecimento de doenças
como Parkinson. Tudo leva a crer que nossas sensações serão cada
vez mais apoiadas por máquinas, dispositivos e sensores”, vaticina Guilherme
Hummel.
Nenhum comentário:
Postar um comentário